Belo Monte

Era uma vez….

Era uma vez um governo. Esse governo, como qualquer outro, passava projetos e leis para garantir os direitos de seus cidadãos, a ordem nacional e estabilidade econômica e para prevenir a violência, as péssimas condições de saúde e educação, mas principalmente se emprenhava em preservar a sua floresta.

Código Florestal foi reformulado, leis mais rígidas quanto ao desmatamento foram impostas, mas o mais interessante desse país e desse governo é que indiretamente ele autorizava o desmatamento feito por ele mesmo. O motivo pelo qual ele desmatava era realmente importante, a geração de energia, o que garantiria o desenvolvimento do pais no futuro, para suprir a demanda das indústrias e da própria população, que com a modernização necessitaria de mais kWh do que antigamente.

A “síndrome de vira-lata” desse povo impedia que ele visse o potencial que o pais tinha, não só referente a sua matriz energética extremamente variada, graças a uma natureza e um território exuberantes, mas relacionada com a sua capacidade de desenvolvimento de novas tecnologias e procedimentos que a juventude desse país criava diariamente mas que não saia do papel, que apodrecia junto dessas ideais magníficas, dentro das faculdades e centros de pesquisa. A falta de investimento nessas instituições era uma dos motivos que essas ideias morriam esquecidas, mas outra razão pela qual essas alternativas não eram desenvolvidas vinha da falta de planejamento e pesquisa do governo frente as possibilidades e alternativas para geração de energia limpa.

Se perdessem tempo ouvindo o que a população tinha a dizer, se investissem alguns dias para visitar essas instituições e valorizar as ideias da juventude, talvez esse pais não tivesse que sofrer as conseqüências de desmatamento seguido de desmatamento, destruição de habitat de espécies em extinção, remoção de populações indígenas e ribeirinhas, inundação de sítios arqueológicos; diretamente acabando com a história do território, e prejudicando o futuro da nação. Esse país pode ter a terceira maior hidrelétrica do mundo e suprir a energia necessária para deixar o território iluminado, mas os efeitos dessa decisão talvez não valham uma obra faraônica com investimento de trinta bilhões de reais (segundo previsões atuais).

O Brasil já tem uma matriz energética bem diversificada, mas onde pecamos é não investir nessas outras fontes que ainda não operam em seus potenciais máximos. Temos possibilidade de gerar energia com a maré no Ceará, energia eólica no Rio Grande do Norte, biomassa que cada vez se torna mais acessível e eficiente, metano que sai do lixo que não armazenamos corretamente. Se investíssemos nessa variedade poderíamos suprir a demanda energética, gerar empregos em vários setores como o de pesquisa para melhoria desses métodos, e ainda espalhar esse potencial pelo Brasil todo para gerar empregos e possibilitar profissionalização para esse ramo. Já tivemos sucesso com o desenvolvimento do etanol, claramente temos capacidade para criar ainda mais. O que falta é vontade e planejamento para melhor investir esses 30 bilhões. Esse dinheiro sai do meu, do seu, do nosso bolso, e eu particularmente não quero investir nessa obra; Belo Monte, Bela Destruição.

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~ by pamelagherini on November 17, 2011.

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